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Como Pensa e Age a Geração Z

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Primeiro haviam os “baby-boomers” ou grupo de pessoas nascidas após a segunda guerra mundial (aproximadamente entre 1943 e 1964). Depois veio a geração X que incluiu os nascidos na década de 60 até o final dos anos 70.

Em seguida tivemos a geração Y que se refere aos nascidos no período entre o final da década de 70 e o início da década de 90. Seguindo a simples ordem alfabética temos então a geração Z que contempla as pessoas nascidas no período compreendido pelo início da década de 90 até por volta de 2010, e é dela que vamos tratar neste artigo.

Vamos falar então sobre os seus filhos e filhas, ou talvez netos e netas. Eles parecem brotar na nossa vizinhança, se expressam através de polegares positivos ou negativos em conversas comumente baseadas em frases parcialmente construídas e abreviações constantes. Eles logo poderão estar trabalhando para você. Eventualmente, você poderá estar trabalhando para eles.

Esta é a geração Z que não conheceu o mundo sem a Internet, telefones celulares ou iPods.

Pode haver discussão em relação ao período exato em que a geração Z começa e termina, mas o que não se discute é o fato desta geração ser muito diferente das que vieram antes. Estamos falando atualmente de pessoas com idade de até 20 anos e que viveram suas vidas inteiras com o acesso instantâneo a montanhas de dados e informações, sobre todo e qualquer assunto, capazes de fomentar enormemente sua imaginação.

Ao mesmo tempo em que nasceram em um mundo altamente tecnológico também vivenciaram alguns eventos históricos que modelaram recentemente o cenário em que vivemos, tal como o 11 de setembro e as crises financeiras da década de 2000. Boa parte demonstra um maior senso de justiça, tendência à filantropia e alguma maturidade sobre temas de maior relevância para a sociedade atual.

Essa é uma geração quantitativamente grande e com elevado poder de influenciar e determinar o mundo em que viveremos daqui a 15 anos. Por isso a importância de entendermos melhor como pensam e agem as crianças e os jovens de hoje.

Entendendo a Geração Z

Eles preferem trocar mensagens de texto do que conversar com alguém. A invenção dos serviços de mensagens curtas ou simplesmente SMS (short message services) pode nos fazer pensar o quanto o telefone realmente seria importante se na época Graham Bell tivesse pensado em uma invenção para a troca de textos antes de uma solução de voz. Pesquisas realizadas mostram que as estatísticas de jovens que usam mensagens de texto só crescem a cada ano.

A razão por esta preferência pode estar na frequência, mais até mesmo do que na conveniência. Ao invés de desenvolver uma conversa face a face ou por telefone para cobrir diversos temas de uma só vez e por vários minutos, os jovens de hoje preferem uma comunicação mais curta e em partes só que com maior frequência. Isso determina uma característica crítica e marcante da geração Z: o feedback imediato. O hábito de obter a informação que desejam instantaneamente.

Quer saber quais as bandas que tocaram na última edição do Rock in Rio? Use o Google e descubra em menos de um minuto. Esqueceu quais os assuntos de matemática cairão na prova de amanhã? Mande um SMS para um colega de classe.

A época de deixar uma mensagem de voz ou enviar um e-mail e então esperar por uma resposta já acabou para esta geração, se é que algum dia fez parte da rotina dos seus integrantes. Eles precisam de informação agora e possuem ferramentas disponíveis para obtê-las.

Uma característica desta geração é ‘zapear’, ou seja, mudar de um canal para outro na televisão, ou ir da internet para o telefone, do telefone para o vídeo e retornar novamente à internet com naturalidade e sem qualquer tipo de dificuldade. Às vezes fazendo tudo isso ao mesmo tempo o que pode provocar falta de atenção ou fácil distração.

Por outro lado, se a geração Z aparenta ser super estimulada, bastante impaciente, então pense por um segundo nos desafios que ela é capaz de reconhecer no futuro. Desde que nasceram estas crianças ouviram falar dos riscos do aquecimento global, do terrorismo e das crises financeiras.

Este contexto trouxe como resultado um crescimento mais acelerado e o desenvolvimento de capacidades sensitivas mais apuradas, como por exemplo, uma preocupação espontânea com a estabilidade financeira de suas famílias, mesmo entre os mais jovens do grupo.

O curioso é que eles se veem como a solução para estes problemas e, como resultado, são mais propensos a perseguir carreiras que eles entendem poder contribuir para ajudar a sociedade. E por causa do seu uso onipresente das redes sociais, eles são ágeis e proativos para ajudar pessoas do seu círculo quando surge algum tipo de alerta sobre alguma necessidade de alguém. Este uso de tecnologias móveis os tornam mais disponíveis e interessados em ajudar solicitações oriundas de amigos.

Conflitos com Gerações Anteriores

Toda geração possui conflitos com uma ou mais gerações anteriores a ela. Suas roupas não parecem certas (ou são certas demais), sua música é muito alta, eles não parecem respeitar ninguém, etc. Quando Elvis Presley estourou nos EUA ele provavelmente provocou uma das maiores ondas de choque cultural entre gerações. Se estivesse vivo, Elvis teria hoje quase 80 anos de idade.

Isso significa que as coisas mudam muito mais rápido do que somos capazes de perceber, e raramente elas voltam a ser como eram antes. Os educadores estão na linha de frente enquanto ocorre a transição da geração Z para a adolescência e eles mesmo reconhecem que este é um grupo diferente.

Um dos desafios mais apontados consiste no fato de que com o fluxo constante de informações quando um jovem é desafiado a solucionar um problema de qualquer tipo, os estudantes de hoje procuram pela resposta mais rápida ao invés de tentarem solucionar o problema por conta própria. Trata-se um instinto natural de buscar rapidez ao invés de precisão ou consistência.

Talvez o maior desafio para os professores seja o fato de que eles precisam aprender a usar novas tecnologias forçadamente e depois de sua disseminação (ou seja, precisam correr atrás para se manterem atualizados), enquanto que os estudantes de hoje são nativos digitais, ou seja, as novas tecnologias são absolutamente intuitivas e lógicas para eles.

Quando olhamos para a geração Z dentro de suas casas, enxergamos estatísticas que apontam pais mais velhos. Os membros da geração X representam boa parte dos pais da geração Z. Na geração X as estatísticas de divórcio são elevadas assim como a frequência de trabalhar fora e permanecer pouco tempo em casa.

Na opinião de muitos especialistas, este absenteísmo dos pais pode trazer uma característica de criação que pode se tornar uma preocupação: os excessos. Atualmente a maioria dos pais demonstra um desejo de criar os seus filhos para que estes possuam uma elevada autoestima, mesmo que isso signifique abdicar de ações duras para corrigir atos falhos ou evitar apresentar desafios que possam estar (aparentemente) além das capacidades dos seus filhos.

A combinação entre esta independência adquirida naturalmente através das tecnologias móveis atuais e a obtenção deste senso constante de autoafirmação a partir do comportamento dos seus pais produziu um senso de direito ou de “poder fazer” na geração Z que pode ser visto como uma faca de dois gumes.

Eles podem possuir os recursos e a iniciativa para realizar as mudanças positivas que desejam mas podem falhar por falta de experiência ou consciência do quanto é necessário perseverar para alcançar o êxito que almejam.

Quando a Geração Z estiver no Comando

Pesquisas apontam estatísticas de que um em cada 4 brasileiros tem menos de 18 anos, ou seja, eles representam 25% da nossa população. Estatísticas semelhantes são vistas nos EUA e em outros países.

O que sabemos é que um dia o mundo estará nas mãos desta geração. A boa notícia é que aparentemente, a geração Z será capaz de fazer um bom trabalho. Além da capacidade tecnológica esta geração também se mostra mais capaz de encontrar os seus caminhos por conta própria. As crianças de hoje não demonstram precisar de direcionamento dos outros. Elas conseguem acessar a informação que desejam quando querem e normalmente encontram o que parece ser suficiente para opinar ou decidir sobre alguma coisa.

Enquanto outras gerações precisavam se apoiar nas opiniões dos pais ou professores para que algo fosse explicado e então aprendido, a geração Z não apresenta este tipo de dependência.

Se olharmos para o ambiente de trabalho, podemos ter certeza de que eles vão exigir flexibilidade. Quando os “baby-boomers” entraram para a força de trabalho, atuar profissionalmente durante a vida toda em uma mesma empresa desenvolvendo uma carreira era um sinal de sucesso.

Isso certamente não irá motivar a geração Z. Eles se verão como profissionais e freelancers permanentes. Eles irão mergulhar de cabeça na sua especialidade (todos eles serão especialistas em algo), participando de um projeto em que possam contribuir e colher resultados. Em seguida buscarão outro desafio, mesmo que não seja no mesmo emprego. Pelo menos é isso que pesquisas apontam quando se avalia como eles mesmos se veem.

Para concluirmos, vale a pena dizer que eles serão inteligentes – para alguns mais inteligentes do que as gerações anteriores. Isso em virtude da sua capacidade de processar quantidades generosas de informações, o que já está preparando-os para desempenhar no futuro trabalhos mentalmente mais desafiadores. Resumidamente, uma geração inteira está se preparando para lidar com tarefas mais complicadas.

Portanto, podemos nos preparar. Apesar de muitas vezes eles demonstrarem um comportamento um tanto egocêntrico, existem razões para acreditarmos que as crianças de hoje possuirão a inteligência e o senso de responsabilidade social para contribuir verdadeiramente com o mundo em que vivemos, de modo que nos esqueceremos dos seus cortes de cabelo ou comportamentos inadequados para padrões previamente estabelecidos.

Reflexões para quem Ensina e Emprega

O impacto destas características da geração Z já vem sendo sentido na pele por professores em sala de aula. Muitas tem sido as discussões, reflexões e os esforços para tentar transformar a sala de aula e sua experiência de ensino em algo mais adequado para motivar, manter a atenção dos alunos e garantir aprendizado. Isso obviamente passa pela capacidade de adaptação do professor, sobretudo em termos de linguagem e uso de tecnologias que já são parte da vida dos alunos permanentemente, dentro e fora da escola.

O que dizer então do ambiente corporativo? Qual o nível de flexibilidade que ele deve apresentar para receber, motivar e reter talentos da geração Z? Em muitas empresas já é possível detectar que a infra-estrutura tecnológica para se trabalhar (computador, smartphone, etc.) é menos avançada do que aquela que o colaborador tem em casa. Também existem em muitos ambientes corporativos restrições quanto ao uso de determinadas ferramentas de comunicação que fazem parte da vida dos mais jovens, o que também pode gerar conflitos.

Um grande desafio para quem emprega é saber agir para tratar de um quadro composto por 3 ou até 4 gerações diferentes, que não somente compartilharão o mesmo ambiente mas deverão trabalhar juntos em busca dos mesmos objetivos, mesmo que possuam características tão diferentes em termos de capacidades para o uso de tecnologias, níveis de maturidade, resiliência e anseios.

Fontes:

  • How Generation Z Works – Lance Looper

Equipe Clarity Solutions

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Tendência #5: A Consolidação do Aprendizado Social ou Social Learning

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Chegamos à metade da nossa série sobre as tendências para o mercado de treinamento. No post desta semana vamos abordar a 5ª tendência: a consolidação do aprendizado social. Se você não teve a chance de ler os posts anteriores sobre as outras 4 tendências que abordamos até a presente data, clique aqui para acessá-los.

Para começarmos esse artigo é importante pontuarmos a definição teórica do aprendizado social. Trata-se do aprendizado que ocorre dentro de um contexto social, por meio da observação ou instrução direta. Esse aprendizado também ocorre através da observação das consequências geradas por um ou mais comportamentos ou decisões de um indivíduo ou grupo.

Ao tratarmos do aprendizado social dentro do contexto da educação e do treinamento podemos automaticamente pensar nas diversas ferramentas digitais que já estão disponíveis e sendo utilizadas pela maioria das pessoas: Twitter, Facebook, Linkedin, WhatsApp, Slideshare, YouTube, dentre outras.

É inegável que todas elas são meios que permitem às pessoas buscar, obter e compartilhar conhecimentos e informações em rede, o que na prática pode significar um aprendizado social. O fato é que essas e outras ferramentas já estão completamente integradas dentro da rotina das pessoas. E nos próximos anos outras ferramentas surgirão e serão igualmente aceitas, uma vez que o ser humano tem a necessidade natural de se comunicar e viver coletivamente.

O aprendizado tradicional em formato de cursos formais (presenciais ou on-line) pode oferecer aprendizado até certos níveis. Já o aprendizado social, organizado em redes e baseado em estratégias educacionais bem definidas, pode ampliar a capacidade de aprendizado das pessoas.

Se as ferramentas já estão disponíveis então quais os motivos para o aprendizado social ainda ser tratado por muitos como algo embrionário? Na verdade muitas organizações já utilizam o aprendizado social há muitos anos por meio de redes e ferramentas próprias mas existe um gigantesco potencial para a maioria das organizações.

A capacidade das organizações oferecerem educação ou treinamento formal continuará a esbarrar nos obstáculos tradicionais: tempo limitado dos professores e instrutores, espaço físico limitado, dificuldades de locomoção urbana das pessoas, restrições de distâncias, etc. Por isso o e-Learning cresceu e continuará crescendo, porém precisamos ter em mente que o aprendizado se tornará um conjunto de experiências ao invés de um processo formal e tradicional.

Esse aprendizado integrado não acontecerá sem a adoção de ferramentas e estratégias que promovam, acompanhem e reconheçam o aprendizado social. Por isso é fundamental que exista uma arquitetura de aprendizado que integre os diferentes meios e ferramentas dentro de uma linha mestra instrucional capaz de garantir o aprendizado.

Essa integração já sendo vista em algumas plataformas de aprendizado mais modernas que nativamente se comunicam com ferramentas de blog, redes sociais, sistemas de comunicação instantânea, e que já oferecem mecanismos que promovem a gamefication dos processos de aprendizado através de sistemas de pontuação, ranking dos melhores alunos, comparativo entre grupos, etc.

Esse cenário pode parecer bem mais complexo pela quantidade de novas variáveis, então o ideal é agir sempre com moderação e  escolher ferramentas que demonstrem um propósito muito claro de aprendizado dentro do contexto geral. Quanto mais meios e ferramentas forem adotadas maior será a complexidade de um projeto.

Em um futuro não muito distante a força de trabalho será composta em sua maioria por pessoas que praticamente já nasceram com dispositivos móveis nas mãos e que não conheceram o mundo sem o Facebook ou o WhatsApp. Por isso todas as experiências que já estão sendo conduzidas para promover e integrar o aprendizado social contarão com o apoio irrestrito de uma parte fundamental: o próprio público-alvo!

Na próxima semana traremos o sexto artigo desta nossa série. Ele tratará da transformação do aprendizado em sala de aula. Boa leitura e bom aprendizado social!

Equipe Clarity Solutions

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